A Frente Parlamentar da Agropecuária, coordenada pelo deputado estadual Zeca Viana (PDT-MT), assumiu o compromisso de lutar contra o corte de 60% no orçamento do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) para 2017, proposto pelo governador Pedro Taques (PSDB). O entendimento foi firmado em reunião realizada nesta quarta-feira (16), no Colégio de Líderes da Assembleia Legislativa.

Servidores e presidente do Indea se reuniram com a Frente Parlamentar do Agronegócio para debater o corte de 60% no orçamento do instituto (Foto: Gabriel Soares / Assessoria)

Conforme exposto pelo presidente do Indea, Guilherme Nolasco, a previsão de repasses para o órgão caiu de R$ 20 milhões na Lei Orçamentaria Anual (LOA) 2016 para R$ 8 milhões na LOA 2017. Na avaliação do deputado Zeca Viana, o corte põe em risco o legado de todo trabalho realizado pelo Indea e deixa Mato Grosso vulnerável às doenças animais e vegetais.

“O Indea hoje tem, só em contratos fixos, R$ 9,5 milhões. Em pessoal técnico tem mais R$ 6,7 milhões. Então, não é possível trabalhar com um orçamento desse. Do jeito que está, o Indea vai fechar as portas quando chegar em abril”, apontou Zeca Viana.

“Isso significa que não vai ter como combater um foco de febre aftosa se surgir algum, como aconteceu em Castanheira. Aí vamos ficar sem poder abater gado por um bom tempo, e vai ser terrível para o estado”, exemplificou o deputado.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Agrícola, Agrário, Pecuário e Florestal do Estado de Mato Grosso, Diany Dias de Souza, afirmou que a luta dos servidores é para que o orçamento do Indea seja fixado em R$ 30 milhões para 2017, o que garantiria o funcionamento do órgão nos 141 municípios mato-grossenses e ainda deixaria alguma margem para resolver problemas estruturais, como a defasagem da frota e a falta de estrutura nos postos fiscais.

“Nós estamos pleiteando, e quero ver se vocês nos ajudam, que o orçamento do Indea seja cumprido como o governador Pedro Taques disse para nós que seria, em campanha: R$ 30 milhões em 2017. Juntos, queremos fazer com que o Indea seja o órgão defensor do agronegócio em Mato Grosso”, disse Diany.

Deputados prometeram articular para aumentar orçamento do Indea no orçamento de 2017 (Foto: Gabriel Soares / Assessoria)

Já o presidente do Indea, Guilherme Nolasco, afirmou ser possível tocar as ações do órgão com R$ 20 milhões, desde que o orçamento seja cumprido na íntegra, o que não vem acontecendo neste ano.

“Consegui convencer o governador para nos dar um orçamento de R$20 milhões, mas o dinheiro não veio. Estamos hoje com cerca de R$ 13 milhões empenhado, e já não deve vir mais. Por isso, estamos escolhendo o que pagar. Por exemplo, estamos devendo o que é do governo, como o Iomat, a MTI”, explicou Nolasco. “No meio de todas essas dificuldades, a atividade finalística do órgão não está comprometida. Eu não tenho dúvida de que o nosso trabalho está feito. Com R$ 20 milhões a gente voa”.

O argumento de Nolasco foi rebatido pela servidora Raimunda Suany, que destacou que a luta dos servidores do Indea vai além de questões salariais e incorpora a reestruturação do órgão e a capacitação dos profissionais para que seja sempre prestado o melhor serviço na defesa agropecuária de Mato Grosso, garantindo a qualidade dos produtos agrícolas do estado.

“Nós servidores carregamos esse barco independente de quem está ali dentro. E nós queremos o respeito que nós merecemos. Nós precisamos capacitar nossos servidores, porque nosso pessoal está ficando para trás. E precisamos ter estrutura para exercer nosso trabalho”, pontuou.

Após ouvir as reivindicações de ambos os lados, os deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária firmaram o compromisso de articular para que o orçamento do Indea-MT seja fixado em R$ 30 milhões para o próximo ano.

“Nós vamos lutar para que o orçamento seja de R$ 30 milhões e, na pior das hipóteses, fique com os R$ 20 milhões, o que não seria o ideal, mas pelo menos não é um retrocesso. O Indea é um órgão muito importante para a economia de Mato Grosso, não podemos deixar ele abandonado”, finalizou o deputado Zeca Viana.

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