O deputado estadual Zeca Viana (PDT-MT) defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a interceptação telefônica ilegal de deputados, jornalista e médicos em Mato Grosso. A afirmação foi feita em entrevista ao Jornal do Meio-Dia da TV Record, nesta terça-feira (16).

Zeca Viana defende abertura de CPI para investigar grampos ilegais (Foto: JLSiqueira/ALMT)

“Nós vamos apresentar o requerimento dessa CPI e, pelo que estamos sabendo, a tropa de choque do governo não está muito afim de assinar. Por isso nós temos uma certa necessidade de ter acesso a essa lista para ver se tem outros deputados, porque eu não acredito que um deputado que está na lista do grampo vai deixar de investigar esse caso”, disse.

Zeca disse afirmou que está claro que as interceptações ilegais denunciadas pelo promotor Mauro Zaque eram de conhecimento do alto escalão do governo Pedro Taques (PSDB), especialmente o ex-secretário-chefe da Casa Civil e primo do governador, Paulo Taques.

“O fato é tão claro e notório. Segundo a própria imprensa, e está lá no relatório, uma suposta amante do secretário da Casa Civil foi grampeada. Ora, que outra pessoa teria interesse nesse grampo dela?”, argumentou Zeca.

O deputado comentou ainda que esteve reunido com o desembargador Rui Ramos, presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), juntamente com os deputados Janaína Riva (PMDB), Valdir Barranco (PT), Allan Kardec (PT) e Silvano Amaral (PMDB), para pedir correição nas varas criminais de Mato Grosso, a fim de apurar se há outras escutas ilegais no esquema “barriga de aluguel”.

“O Tribunal de Justiça já tomou providência, está fazendo uma investigação sigilosa e aí nós estamos aguardando a PGR, porque é quem vai determinar se vai dividir a investigação ou, como está envolvendo deputado federal e deve ter outros deputados e governador, cabe à Procuradoria Geral da República a investigação”, contou Zeca.

Os cinco parlamentares de oposição também se reuniram com o procurador-geral de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso (MPE-MT) para saber sobre o envolvimento da instituição no caso dos grampos ilegais. Conforme Zeca, a informação inicial é que as interceptações telefônicas não foram realizadas pelo sistema do MPE, denominado ‘Guardião’.

“O procurador Mauro Curvo tem quase certeza que esse grampo não passou pelo ‘Guardião’ do Ministério Público. Se não me engano, são três ‘Guardiões’ legalizados aqui no estado: Gaeco, Polícia Civil e Polícia Federal. Nós vamos fazer um requerimento para saber se esses grampos passaram realmente pelo Gaeco. Se não passou, aí o ‘Guardião’ é clandestino, o que já é outro crime, além das escutas ilegais”.

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