Foto: Ari Miranda

Por ZECA VIANA

O governador de Mato Grosso, Pedro Taques, se elegeu em 2014 como o paladino da moralidade. Da propaganda política na TV e Rádio para a realidade, a verdade: o paladino perdeu a moral para apontar o dedo de acusador. Seu governo, para a decepção dos eleitores, é um beco sem saída, escândalos de corrupção na Seduc e no Detran; escândalo dos grampos ilegais; obras inacabadas; promessas não cumpridas; secretários presos; parentes próximos presos, e uma gestão errática, simplesmente ruim.

Certamente sem ouvir as pessoas mais próximas, Taques já definiu sua linha de propaganda eleitoral que despreza a inteligência e a memória da população. O governador acredita que ainda é o candidato de 2014, o procurador acusador, dispensando-se de autocrítica honesta e as devidas explicações sobre os escândalos em série no seu governo e a responsabilidade pela gestão ineficiente.

O senhor governador usa e abusa da ironia, parte da sua conhecida personalidade arrogante, para jogar a responsabilidade na gestão anterior ou na crise, escolhe o culpado ao sabor do momento conveniente. Nenhum gesto ou palavra para encarar o eleitorado enganado e dizer que errou feio, errou muito. A grande rejeição ao seu nome é a reação popular ao fracasso e a forma desrespeitosa como trata as pessoas, e neste caso o servidor público do Estado conhece muito bem o jeito Taques de ser.

Agora mais recentemente, no calor da disputa eleitoral, onde o ex-paladino se sente evidentemente desconfortável para dar explicações sobre os escândalos de corrupção e prestar contas dos erros próprios, Taques mostra o pior da sua arrogância e incoerência. Está tudo registrado pelos jornalistas mato-grossenses. Ele diz que não mudou, quem mudou foram seus aliados que o abandonaram. Depois afirma que “só quem tem problema mental não muda de opinião” ao explicar porque mudou de opinião contra a reeleição e agora é defensor ferrenho da repetição de mandato cujo maior beneficiário é ele mesmo. Ele não muda de opinião e muda de opinião ao mesmo tempo, cinismo ou um caso para Freud?

A argumentação do governador-metamorfose-ambulante é um primor de cinismo: “mudei de opinião sem abrir mão do princípio da moralidade”. Qual moralidade? A dele, só Pedro Taques tem moral, só Pedro Taques é honesto, o resto da população de Mato Grosso é que tem “problemas mentais”, não enxerga que está à frente do maior homem público da história do estado. Um flagrante da arrogância e soberba que causa a repulsa da sociedade com o indivíduo.

Dois pontos sobre as declarações do senhor governador que sonha acordado com a reeleição, seu objeto de desejo. O primeiro sobre o abandono dos ex-aliados. Taques esquece que, como ele, são políticos e tem representação popular, expressam a indignação dos eleitores que se sentiram vítimas do crime de estelionato eleitoral cometido em 2014. Os ex-aliados estão seguindo quem abandonou primeiro este governo: a população. A nova força de oposição está fazendo o que deve ser feito, respeitar a vontade dos cidadãos e cidadãs que rejeitam esta forma de governar que devora dinheiro público e arrota um falso moralismo.

O outro ponto que precisa ser registrado é a infeliz e preconceituosa comparação usada pelo governador Pedro Taques, depreciando as pessoas portadoras de doenças mentais. Mais uma expressão de quem se acha acima de tudo e de todos. Deve um pedido público de desculpas.